quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pleonasmo, você usa?

Observe as seguintes afirmações:


“Eu canto um canto matinal”. (Guilherme de Almeida)
“A ameaça, o perigo, eu os apalpava quase”. (Guimarães Rosa)

Na primeira afirmação, o escritor utiliza o verbo cantar, que já traz consigo a idéia de canto (quem canta, logicamente canta um canto). Na segunda, de Guimarães Rosa, os vocábulos “ameaça” e “perigo” fazem parte de um mesmo eixo significativo: são sinônimas. Entretanto, o escritor usou as duas, a fim reforçando a idéia que queria transmitir.

Quando fazemos uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma idéia estamos utilizando a figura de linguagem chamada pleonasmo. Quando bem elaborada, além de embelezar o texto, esta figura de linguagem intensifica e destaca o sentido da expressão onde foi empregada.

“A vida, não vale a pena nem a dor de ser vivida”. (Manuel Bandeira)

Deve-se evitar, entretanto, o uso de pleonasmos viciosos. Estes não têm valor de reforçar uma noção já implicada no texto. Antes são fruto do desconhecimento do sentido das palavras por parte do falante. O pleonasmo vicioso é muito utilizado na modalidade oral, o que acaba influenciando a modalidade escrita. Veja alguns exemplos:

“Menino, entre já para dentro”.
“Eu fui fazer um hemograma de sangue hoje de manhã”.
“Joana sofre de leucemia no sangue”.
“Eu vi com esses olhos que um dia a terra há de comer”.
“A protagonista principal do filme ‘O sorriso de Monalisa’ é Julia Roberts”.

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